ADUNEB se manifesta contra a violência à mulher: Casos recentes na Bahia voltam a chamar a atenção



Sábado, 16 de agosto, a Bahia recebe perplexa a notícia do triplo assassinato de mulheres em Ilhéus, no Sul do estado. Os corpos das amigas e vizinhas Alexsandra Suzart (45), Maria Helena Bastos (41) e de sua filha, a universitária Mariana Bastos (20), foram encontrados no período da tarde, em uma vegetação rasteira na Praia dos Milionários. Elas tiveram as vidas ceifadas por facadas. Ao lado delas, um cachorro amarrado por coleira, o único sobrevivente da barbárie. Apesar da pressão da população local e do empenho da polícia, até o fechamento dessa matéria, o autor dos crimes e a motivação seguiam desconhecidos.
Quarta-feira, 20 de agosto, ainda em choque com o brutal triplo assassinato em Ilhéus, a sociedade baiana amanheceu novamente perplexa com as imagens do feminicídio de Laina Santana Guedes (37). Ela foi assassinada a golpes de marreta, na noite anterior, pelo companheiro Ramon de Jesus Guedes, na presença das duas filhas, de 5 e 12 anos, no apartamento do casal. As imagens da extrema violência foram filmadas por vizinhos e divulgadas em redes sociais e pela imprensa. O caso aconteceu em Lauro de Freitas, Região Metropolitana de Salvador. Questionado após ser preso e pautado pela violência secular do patriarcado, o assassino deu como justificativa a desconfiança sobre uma possível infidelidade de Laina.
Terça-feira, 19 de agosto, mesmo dia do feminicídio cometido contra Laina Guedes, mais um homem foi preso em flagrante por agredir sua companheira. A arma foi uma garrafa de vidro. A violência aconteceu no interior da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Hélio Machado, no bairro de Itapuã, em Salvador. Segundo testemunhas, a vítima estava no local justamente por ter sido agredida anteriormente pelo mesmo homem, que invadiu a UPA para continuar a brutalidade. Levado pela polícia à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher, ele foi autuado por lesão corporal dolosa. A paciente, apesar da violência física e dos possíveis traumas psicológicos, não sofre risco de morte e entrou com pedido de medida protetiva.
Números da violência
Dados do Ministério Público da Bahia mostram que, entre janeiro e novembro de 2024, naquele órgão público foram registrados 18.689 procedimentos investigatórios de casos de violência contra as mulheres. Em Salvador, o Núcleo de Enfrentamento às Violências de Gênero em Defesa dos Direitos das Mulheres solicitou 825 medidas protetivas para mulheres ameaçadas na capital baiana. Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, na Bahia, 27 mulheres sofrem violência doméstica por dia. Os dados são comparativos, entre janeiro e julho, dos anos de 2023 e 2024.
Diante dos terríveis fatos apresentados, a ADUNEB novamente vem a público para manifestar sua indignação. A Seção Sindical, que possui a pasta de Gênero, Etnia e Diversidade, tem como uma de suas bandeiras a luta contra o machismo, o preconceito de gênero, a misoginia, o feminicídio e tantas outras opressões que impactam há séculos as vidas das mulheres. A violência de gênero, que ganhou força e incentivo a partir do bolsonarismo e do recrudescimento da extrema-direita, precisa ser vista, também, como um grave problema de saúde pública. É urgente a necessidade da valorização, do maior suporte orçamentário e da expansão dos programas de apoio às mulheres e que atuam pela equidade de gênero. Da mesma maneira, é fundamental a ação célere e efetiva dos órgãos ligados à Segurança Pública, tanto na prevenção quanto no combate, na investigação e na punição exemplar dos culpados.
Quem procurar
Para ocorrências urgentes e de risco imediato, ligue para a polícia pelo número 190.Para casos sem emergência, mas que envolvem contextos de violência, opressão, relacionamento abusivo, entre outros, ligue para 180 ou Disque 100.
Fontes: G1, Ministério Público da Bahia, SECOM – Presidência da República
