Planserv: ADUNEB organiza defesa de professoras/es contra aumento abusivo do plano de saúde



Indignada com o aumento abusivo do Planserv, que prejudica centenas de professoras e professores da UNEB e das demais universidades estaduais baianas, a ADUNEB irá às ruas e ao Tribunal de Justiça. Esses dois encaminhamentos, entre outros, foram definidos em duas reuniões ocorridas nesta semana entre as representações sindicais (ADUNEB, ADUFS, ADUSB e ADUSC) que compõem o Fórum das ADs.
Para a Coordenação da ADUNEB, as ações enérgicas se fazem necessárias devido à nova lei, em vigor desde janeiro, que impôs o aumento das mensalidades do Planserv e estabeleceu um percentual único para todo o funcionalismo estadual. A adoção da nova alíquota sobre o salário bruto é de 5,5% em 2026 e 6% em 2027. Cônjuges pagam 50% do valor contribuído pelo titular. Outros dependentes pagam 22%, sendo que o valor mínimo de contribuição foi fixado em R$ 120,00. Há ainda o caso de agregadas/os, maiores de 24 anos, que pagam o mesmo valor do/da titular. O aumento radical, feito de maneira célere e sem ampla discussão com os sindicatos, fez com que muitos servidores e servidoras tivessem um reajuste de 100% ou mais.
Ação judicial
A assessoria jurídica da ADUNEB, assim como das demais seções sindicais das UEBAs, analisa a questão para traçar a estratégia jurídica mais adequada. A orientação inicial às professoras e aos professores prejudicados da UNEB é que enviem um e-mail anexando, em PDF único, os contracheques de dezembro de 2025 e janeiro de 2026. O endereço é aumentoplanserv@aduneb.com.br . Os documentos deverão ser enviados até o dia 23 de fevereiro. Em breve, novas informações serão divulgadas sobre a ação judicial.
Reunião entre o Fórum das ADs e as assessorias jurídicas das Seções Sindicais
das UEBAs, realizada na quarta-feira (4)
Protesto
Para denunciar o aumento abusivo, chamar a atenção da imprensa e dar visibilidade ao problema, o Fórum das ADs organiza um ato de protesto em Salvador, na manhã do dia 26 de fevereiro (quinta-feira), em frente ao prédio do Planserv. A ADUNEB convoca todas e todos os prejudicados a participarem da atividade. Docentes da UNEB do interior, sindicalizados, terão as passagens terrestres ressarcidas mediante a apresentação das notas fiscais. Os detalhes sobre a organização do protesto serão amplamente divulgados pela Seção Sindical.
Redução do salário líquido
Uma das professoras indignadas com o aumento é Dinalva Macedo, do Campus de Guanambi. O Planserv oferece cobertura para ela, o marido e dois filhos. Até o ano passado, o desconto no contracheque era de R$ 2.794,62. A partir da imposição da nova alíquota, passou a pagar R$ 5.106,65. Somente para ela, enquanto titular do plano, o salto foi de R$ 731,32 para R$ 1.321,90. A professora afirma que seu salário líquido reduziu R$ 1.548,54.
“Fiz uma cotação da melhor linha de um plano de saúde nacional, conceituado, sem coparticipação, com acomodação em apartamento e rede ampla de hospitais em Salvador, inclusive no Aliança e São Rafael. Em São Paulo, é aceito pelo Albert Einstein. Ficou mais barato do que o Planserv, que está sucateado e não atende em Guanambi e muitos outros municípios baianos”, desabafou Dinalva.
Mais de 100% de reajuste
Residente no Extremo Sul da Bahia, uma professora (preferiu omitir o nome) declara que o aumento abusivo do Planserv vai impactar a vida de docentes em efeito cascata. “Eu pagava R$ 722,32. Com o reajuste de 5,5%, conforme a Lei 15.034/2025, minha contribuição passou para R$ 1.591,87, o que configura mais de 100% de reajuste”, relatou.
“Dói ainda mais por saber que os serviços do plano não foram melhorados. Não vejo no horizonte mudanças que sejam significativas para o interior, onde resido, e onde a rede credenciada é mínima. Seguimos sofrendo com as cotas de laboratórios para exames, parca oferta de especialidades e falta de exames específicos”. Ela finaliza com o questionamento: “Seguiremos pagando um alto preço, aguardando melhorias, sem um planejamento estratégico apresentado para todas as regiões dessa imensidão que é a Bahia?”.
Denúncia
A ADUNEB denuncia, desde 2015, os graves problemas envolvendo o Planserv, o impacto no bolso dos docentes e a queda da qualidade dos serviços, sobretudo no interior do estado. Em novembro daquele ano, sem discussão prévia com a categoria, o governo aumentou, às vésperas do Natal, os descontos nos contracheques. O valor da mensalidade chegou a dobrar, sendo que, em alguns casos, passou a representar até 75% de um salário mínimo.
Entre 2015 e 2018, a contribuição do governo para o plano de saúde despencou de 5% para 2%. Como se não bastasse a política de desmonte, a narrativa oficial já colocava a culpa no trabalhador. Em 2 de junho de 2017, em entrevista à rádio Metrópole, o secretário da Fazenda, Manoel Vitório — que segue até hoje à frente da pasta — afirmou que o servidor estava “sangrando o plano” devido a “utilizações abusivas”. Em 2025, a contribuição do Estado era de apenas 2,5%. Este ano, foi para 3,25%. Em 2027, o valor será de 4%. O percentual ainda está muito abaixo dos 5% de contribuição praticados em 2015, ou seja, há 11 anos.
A política de desmonte do Planserv continua.
Não em nosso nome!
O aumento abusivo prejudica milhares de servidores.
Não em nosso nome!


