Solidariedade ao prof. Allison Ruan, que teve nomeação anulada pela Justiça, por decisão contra o sistema de cotas



Todo dia ele percorria 200 km de distância entre Mossoró (RN), local em que trabalhava como professor substituto, e Fortaleza, onde terminava o doutorado em Engenharia Química, pela Universidade Federal do Ceará. Allison Ruan, hoje doutor, fez mestrado em Engenharia Química pela Universidade Federal de Santa Catarina e graduação em Engenharia Química e, também, em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido. Após ser aprovado em um concurso público na Universidade Federal de Pernambuco, com aceite pela banca de heteroidentificação, e dar aulas por um semestre, o docente perdeu a vaga devido a uma decisão judicial contra o sistema de cotas. Allison, apesar de cumprir todos os requisitos da lei, sentiu na pele que no país das injustiças, do preconceito e do privilégio branco, para um professor negro não basta vencer todos os dias os obstáculos impostos pelo status quo.
A Coordenação da ADUNEB vem a público manifestar total apoio e solidariedade ao professor Allison Ruan, aprovado em concurso pela política de cotas raciais para docentes, mas que teve arbitrariamente sua nomeação anulada após a Justiça conceder ganho de causa a uma candidata de ampla concorrência.
A ADUNEB analisa o caso com indignação e extrema preocupação, sobretudo quando se recorda de que decisões judiciais contra o sistema de cotas, uma conquista e reparação histórica ao povo negro, têm ocorrido em todo o país. Casos denunciados pela Seção Sindical, como o da professora Lorena Pinheiro ( leia aqui ) e do Estado de Santa Catarina, que aprovou Projeto de Lei acabando com as cotas raciais nas universidades estaduais ( leia aqui ), são cada vez mais frequentes. Segundo levantamento do jornal Correio, em setembro de 2024, pelo menos sete ações judiciais impediram a nomeação de candidatas/os negras/os cotistas, aprovados em primeiro lugar e após passarem pela banca de heteroidentificação, conforme previsto em lei. Desses processos, quatro foram na UFBA, com ocorrência também nas Federais de Sergipe (UFS), de Uberlândia (UFU) e Fluminense (UFF).
Embora a UFPE tenha executado a sentença judicial antes do fim do prazo de recurso do professor Ruan, em nota à imprensa a instituição de ensino declarou que a anulação da vaga do docente não aconteceu por decisão administrativa da universidade, “...mas do cumprimento de determinação proferida pelo Poder Judiciário. Como órgão da Administração Pública, a UFPE tem o dever legal de cumprir as decisões judiciais que lhe são dirigidas, independentemente de eventual possibilidade de interposição de recurso”.
A ADUNEB soma-se às demais organizações sociais e políticas que atuam em defesa das pautas progressistas e identitárias para reivindicar a revisão da decisão judicial contra o professor Ruan. A universidade pública, diferente do que ainda é amplamente reproduzido em vários setores da sociedade, precisa seguir fortalecida como um espaço de resistência à desigualdade social, racial e ao racismo estrutural.
Racistas não passarão!


