Nota de solidariedade ao povo Pataxó e contra a criminalização de suas lideranças



A Coordenação da ADUNEB – Seção Sindical dos Docentes da Universidade do Estado da Bahia vem a público manifestar sua solidariedade e apoio irrestrito ao Povo Pataxó do extremo sul da Bahia, diante da escalada de violência, perseguição política e criminalização de suas lideranças.
É com extrema indignação que a Seção Sindical recebe as denúncias sobre a prisão do Cacique Suruí, presidente do Conselho de Caciques, ocorrida nesta terça-feira (17), bem como as prisões de outras lideranças das comunidades locais ocorridas nos últimos meses. Segundo nota do Conselho de Caciques Pataxó, Suruí foi preso injustamente em sua residência, “acusado de crimes e atos de ‘retomada’ ocorridos no território Comexatibá, onde ele sequer esteve presente e ao qual não se estende sua jurisdição como líder”.
O Conselho de Caciques também denuncia as prisões injustas do Cacique Joel Braz (dez/2025), do Cacique Mandyn e de outras 12 lideranças (fev/2026), além da impunidade aos assassinos dos jovens Pataxó Samuel e Vítor Braz, Gustavo da Conceição e Nawi Brito, ocorridas nos últimos anos. Para a ADUNEB, tais perseguições, prisões injustas, criminalizações de lideranças e assassinatos configuram uma evidente tentativa de desarticulação de um movimento legítimo, que luta pela garantia de direitos fundamentais e pela sobrevivência de sua cultura ancestral.
A ADUNEB repudia a criminalização das lideranças Pataxó e o uso de acusações infundadas para justificar prisões políticas, ignorando os compromissos de diálogo estabelecidos pelas comunidades com órgãos como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Da mesma maneira, repudia o uso de violência e o abuso de autoridade de forças de segurança contra famílias indígenas; a morosidade em punir os assassinos dos jovens indígenas citados e a atuação articulada entre agentes políticos, econômicos e milícias locais que visam o extermínio do povo Pataxó para favorecer interesses do agronegócio e de outros grupos empresariais.
A Seção Sindical reafirma que a luta pela terra é uma luta pela vida. A resistência Pataxó está amparada pela Constituição Federal de 1988 (Artigos 231 e 232) e por tratados internacionais, como a Convenção 169 da OIT.
Por fim, a Coordenação da ADUNEB reivindica das autoridades competentes a justa e célere libertação de todas as lideranças indígenas presas; a interrupção de operações policiais abusivas contra as comunidades originárias e a urgente assinatura da Portaria Declaratória do Território Barra Velha pelo Governo Federal — medida essencial para o fim dos conflitos e a pacificação da região.
Como professoras e professores comprometidas/os com a justiça social e os direitos humanos, não nos calaremos diante do genocídio em curso. Todo apoio ao Povo Pataxó!
Pela vida, pelo território e pela dignidade dos povos originários!
Coordenação Executiva da ADUNEB


