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Notícias

01/06/2009 21:22

PM invade USP para barrar greve de funcionários


foto: Renata Piekarski
Os funcionários da USP, em greve há 28 dias, foram surpreendidos com a presença de um contingente militar de aproximadamente 200 homens da Força Tática, da Rocam (Rondas Ostensivas Com Apoio de Motocicletas) e do policiamento da área, que invadiram o campus Butantã por volta das 02h30 desta madrugada.
 

Os policiais perfilaram-se em frente a 10 acessos de prédios da universidade. O da reitoria foi o que concentrou o maior número de homens. Armados com escudos, escopetas e bombas de efeito moral, os policiais arrancaram, inclusive, faixas do sindicato que convocavam para a assembléia de funcionários que discutiria os rumos do movimento. Várias viaturas da PM circulavam pelo campus. Um caminhão do Corpo de Bombeiros e uma ambulância do resgate também foram desviados para a USP.

Segundo o comandante do 4º Batalhão da PM e responsável pela operação, tenente-coronel Cláudio Miguel Marques Longo, a presença da polícia no campus seria para garantir que não ocorressem danos ao patrimônio. “Havia indícios de que haveria invasão.”

Os funcionários desmentem a versão do militar. “Não havia a menor possibilidade de isso acontecer. Nossa greve tem a adesão de 70% da categoria”, rebate Claudionor Brandão, diretor do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) e membro do comando de greve.

Mentira - Pela manhã três oficiais de justiça foram ao campus para entregar cópia do mandado expedido pela juíza da 12ª Vara da Fazenda Pública, Maria Fernanda de Toledo Rodovalho, determinando a reintegração de posse e citação. Fato insólito, pois nenhum prédio da universidade estava ocupado.

Na peça apresentada pela USP, solicitando a reintegração de posse com perdas e danos em face do Sintusp e do Diretório Central dos Estudantes, a reitoria alega que “as referidas entidades passaram a insuflar os participantes a invadirem os referidos bens públicos”.

O texto acrescenta ainda, referindo-se ao Sintusp, que “para alcançar o maior número de adeptos, passou a emitir boletins informativos, insuflando a comunidade universitária, com argumentos desprovidos de qualquer veracidade”.
Baseada no pedido de liminar impetrado pela USP, a juíza afirma em seu despacho que “nem mesmo o direito de greve dá aos grevistas o direito de se apossar de prédios públicos”.

Ditadura - O deputado estadual do PSOL Carlos Gianazzi convocou a reitora Suely Vilela a prestar esclarecimentos na Assembléia Legislativa sobre o episódio de hoje. Gianazzi quer saber porque a polícia militar invadiu o campus. “É uma mácula na história da USP. Remonta aos idos do AI-5”, lamenta o deputado.

Para o professor de sociologia Rui Braga, a invasão da Polícia Militar ao campus da USP é inadmissível. “Nem a ditadura militar ousou fazer isso”.

“Esse tipo de invasão é inédito e lamentável”, reforça o presidente da Adusp (Associação dos Docentes da USP), Otaviano Helene.

Os policiais só abandonaram o campus, 13 horas após invasão, depois que professores iniciaram uma aula pública para mais de 800 estudantes, em frente ao prédio da reitoria. Segundo Magno de Carvalho, dirigente do Sintusp, o comandante da operação afirmou ao ir embora. “Nós vamos, mas se amanhã tiver piquete voltaremos.”

Greve continua - Os funcionários reunidos em assembléia no início da tarde aprovaram por unanimidade a continuidade da greve. Amanhã estudantes e funcionários realizam ato conjunto em frente à reitoria, a partir das 11h, para protestar contra a invasão da PM.

A reitora Suely Vilela não quis comentar a invasão militar. A nota distribuída pela assessoria de imprensa da universidade afirma que a reitoria adotou as medidas cabíveis.

As negociações com o Fórum das Seis (que representam os docentes, funcionários e os estudantes da USP, Unicamp e Unesp) estão suspensas desde o dia 25 de maio.

Os funcionários reivindicam 16% de reajuste, incorporação de R$ 200 ao salário, a readmissão do diretor do Sintusp, Claudionor Brandão, demitido em função de sua atuação à frente do sindicato e a retirada de processos contra dirigentes sindicais e estudantis.

Os professores da USP também paralisam as atividades amanhã. Os docentes realizam assembléia para discutir os encaminhamentos da campanha salarial.
  


Fonte: Conlutas

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