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Clipagem

12/04/2010 13:12

Pesquisador discute em artigo a Sindrome de Burnout entre os docentes


foto: ADUFRJ
Capitalismo organizacional e trabalho – a saúde do docente

Resenha por Ana Manuella Soares

A edição de janeiro de 2010 da Revista Universidade e Sociedade* foi dedicada ao tema Reforma da Educação e Trabalho Docente. Em seu artigo Capitalismo organizacional e trabalho – a saúde do docente, o professor Francisco Antônio de Castro Lacaz, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisador na área de Política, Planejamento e Gestão em Saúde, discute de que forma a lógica capitalista e a reestruturação neoliberal, por ele identificada como capitalismo organizacional, atinge os espaços da universidade pública e repercute na saúde dos trabalhadores, em especial, dos docentes.

Essa nova forma de trabalho imposta por políticas de governos, administrações e agências de fomento tem como base a competição por verbas, o produtivismo e o individualismo, a captação no mercado de recursos para o financiamento de pesquisa e têm gerado, segundo o autor, tensão e estresse crônicos que instalam entre os professores a Síndrome de Burnout.

A Síndrome de Burnout caracteriza uma despersonalização do profissional, neste caso, dos docentes, associada a sentimentos de desmotivação, desinteresse e a sensação de frustração extrema. (...) “nos marcos da (re) organização do trabalho, de cunho neoliberal, cuja lógica tem ‘colonizado’ a gestão de serviços e bens públicos, como universidades e hospitais”, os docentes se encontram subordinados a um ideiario que impõe à sua identidade de trabalho a prestação de um serviço e não mais a produção de conhecimento socialmente livre e não dirigido ao mercado.

Em referência a Edouard Orban, o autor diz que o “processo de trabalho em serviços, o resultado do processo é consumido ao mesmo tempo em que é produzido, sendo colocados em contato direto trabalhador e consumidor, conforma-se a chamada co-presença”, o que pode exercer pressão em relação ao tempo de produção dos ‘serviços’ acadêmicos.

“Frisa-se que a co-produção tem como “subproduto” o auto-serviço, em que o consumidor age no processo de trabalho, trazendo como consequencia a diminuição dos postos de trabalho. Eis uma aproximação do que ocorre hoje, na área do ensino e que se assemelha com a co-produção: é a chamada educação a distância, que prescinde da presença do professor!”

No item que trata do Capitalismo organizacional nas Instituições Públicas de Ensino Superior, o autor fala da questão do gerencialismo como a forma de organização escolhida pelas administrações. Este gerencialismo seria uma forma de contaminação da gestão pública por estratégias de organização próprias das administrações privadas, “particularmente naquilo que se refere à precarização das relações e dos vínculos de trabalho, ao elevado turnover (alta taxa de rotatividade no emprego), à ausência de direitos sociais etc. (LACAZ ET et al., 2008).”

Para entender os efeitos da flexibilização do trabalho nas universidades públicas, o autor ressalta as consequências psicossociais que se estabelecem a partir da lógica mercantilista de produção adotada, principalmente entre os docentes e os servidores administrativos. Do ponto de vista teórico, “esse contexto pode ser situado nos marcos do chamado capitalismo acadêmico, inicialmente ‘diagnosticado’ nos Estados Unidos, em meados dos anos 1970. (...) como consequência da reestruturação da educação superior, o que foi interpretado como uma resposta, de inspiração neoliberal, aos desafios colocados pela globalização. (...) Esta tendência atinge seu apogeu quando universidades passam a formar quadros para uma empresa em particular, como é o caso de ‘Hamburger University’”, uma universidade corporativa.

Efeitos psicossociais da reorganização do trabalho neoliberal
Segundo o autor, os efeitos psicossociais desta nova realidade de co-produção associada “às demandas da ‘clientela’ consumidora estariam impregnados na produção acadêmica de nossas universidades públicas”. O aumento das demandas e a pressão por produtividade pode estar afetando de forma negativa a saúde dos docentes. Isso “porque exigem que se faça muito mais num tempo limitado, e esta realidade de trabalho é vivenciada com tensão (CERVANTES,2009). Tal situação provoca estresse crônico, que é acompanhado de ansiedade, preocupação, sensação de impotência, frustração, mau humor, ou seja, um mal-estar difuso.”

“Desdobramentos desta tensão crônica e da sobrecarga de trabalho são a auto-medicação, a busca de um sobre-esforço de adaptação e as formas sutis de resistência, ativa ou passiva, tais como: auto-dosagem de trabalho, não ultrapassagem do horário de trabalho previsto pelo regulamento, ou não inteirar-se das tarefas encomendadas ou prescritas (BLANCH& STECHER, 2009)”

O autor cita um estudo realizado pelo Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho (Diesat). Numa mostra de 1.800 docentes de instituições privadas, em torno de 50% usavam algum tipo de medicação psicotrópica, alguns sem a própria indicação de receita médica (CAMPOS,2009).
A consequência da sobrecarga quantitativa, muita coisa para fazer em pouco tempo, exigência qualitativa menor do que as possibilidades potenciais, associada a conflitos de papéis e responsabilidades, à falta de controle sobre os resultados de seu trabalho são as condições que promovem o desgaste mental. A ausência de solidariedade por parte de chefias e colegas também agravam a Síndrome de Burnout (Síndrome do esgotamento).

Em suas considerações finais, Lacaz alerta para as imposições trazidas pela reestruturação do modo de produção capitalista contemporânea. Nas instituições públicas de ensino superior estaria sendo implementado o chamado capitalismo organizacional que produz significativas alterações no processo de trabalho e resultam numa “hegemonia da ideologia do produtivismo acadêmico e na descaracterização da natureza do trabalho docente”, o que pode estar aumentando os índices de adoecimento na categoria.

“Assim, a luta pela defesa da saúde dos trabalhadores e por crescente melhoria nas condições do trabalho docente, hoje tão degradadas e precarizadas – degradação e precariedade, estas, expressas nas doenças e/ou distúrbios, ainda não reconhecidos como tal, aqui apontados e, por isso mesmo, objeto de denúncia – deve ter como preocupação central o “docente coletivo”, principal razão de ser e existir um sindicato de abrangência nacional e construído desde a base, e que, por isso mesmo, deve estar sempre atento, na ausculta dos anseios que dela (categoria) despontam, no seu cotidiano”.

*Universidade e Sociedade 45 Ano XIX, janeiro de 2010, páginas 31-59.


Elaborado pela assessoria de comunicação da ADUNEB, o serviço de Clipagem apresenta um resumo das informações ligadas à Educação e ao movimento sindical publicadas pelos principais jornais, agências e sites de notícias do país.

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Fonte: ADUFRJ

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