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Clipagem

08/03/2010 10:05

Violência persiste 153 anos depois de incêndio em fábrica de tecidos

DIA DA MULHER Só em 2010, foram 2.194 ocorrências registradas contra mulheres em Salvador

EUZENI DALTRO

 
Em 1857, diversas operárias que protestaram por melhores condições de trabalho foram trancadas e queimadas em uma fábrica de tecidos de Nova York. O episódio, ocorrido em 8 de março, deu origem ao Dia Internacional da Mulher. Hoje, mais de um século depois, as mulheres ainda continuam sendo vítimas de atos de violência. Só em Salvador, foram registrados, pelas duas unidades da Delegacia Especial de Atendimento a Mulher (Deam), de 1º de janeiro a 4 de março, deste ano, 2.194 ocorrências.

Além da persistência do problema, este número mostra que as vítimas passaram a denunciar mais, conforme avaliação da delegada Cely Carlos., titular da Deam do Engenho Velho de Brotas.

“A maioria dos casos de violência contra a mulher tem como agressor o companheiro da vítima. Esta, antes, silenciava, mas, hoje, procura a delegacia nos primeiros indícios de violência, pois estão mais confiantes na aplicação da penalidade prevista na Lei Maria da Penha. Contudo, o número de ocorrências não diminuiu”, pontua Cely.

De acordo com a delegada, a principal causa da violência doméstica é cultural. “Os homens não foram e ainda não são criados para entender que são iguais às mulheres, até porque o homem é criado podendo fazer tudo e as mulher, com restrições”, avalia.

Efeitos psicológicos Ainda existem mulheres que resistem em denunciar a agressão sofrida por medo de ameaças, dependência financeira ou um sentimento que nutre pelo agressor. “São situações relacionadas com questões psicológicas. A vítima, muitas vezes, não se dá conta do que faz, se vê presa e sem possibilidade de sair da relação”, explica a psicóloga Fernanda Landeiros.

A especialista chama atenção para os danos que podem ser causados na mulher a partir da violência, seja física ou moral. “A violência doméstica ocorre de vários modos. A agressão física é o ápice. Mas a agressão verbal também compromete a autoestima, podendo levar a um transtorno psíquico”, explica.



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Fonte: Jornal A TARDE (08.03.10)

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