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Clipagem

02/02/2010 11:37

País fica em 88º em ranking de ensino

Estudo da Unesco, com 128 nações, mostra que Brasil está atrás de Paraguai e Argentina; qualidade é o gargalo

 

Lisandra Paraguassú

BRASÍLIA

 

O alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) que o Brasil conquistou há dois anos não chegou à educação. O relatório Educação para Todos, divulgado ontem pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), mostra que a baixa qualidade do ensino nas escolas deixa as crianças para trás. É diretamente responsável por colocar o País na 88ª posição no Índice de Desenvolvimento Educacional (IDE), com resultado 0,883 (a nota varia de 0 a 1, sendo 1 a mais alta). O Brasil está atrás de Paraguai, Equador e Bolívia.

 

Dos quatro dados utilizados pela Unesco, o Brasil vai bem em três e tem resultados acima de 0,900 - o mínimo para ser considerado de alto desenvolvimento educacional. São bons os números de atendimento universal, analfabetismo e igualdade de acesso à escola entre meninos e meninas. Já quando se analisa o índice que calcula quantas crianças que entram na 1ª série do ensino fundamental concluem a 5ª série, o País cai para 0,756, um baixo IDE.

 

Mais do que isso, a situação piorou. No estudo anterior, com dados de 2005, o índice brasileiro ficou em 0,901. O recente relatório utiliza informações de 2007, ano em que há números comparáveis para os 128 países.

 

Segundo Nicole Bella, analista de políticas da Unesco em Paris e uma das responsáveis pelo relatório, o Brasil perdeu pontos porque a matrícula caiu de 95,6% em 2005 para 93,5% em 2007 e a taxa de sobrevivência na 5ª série de 80,5% para 75,6% no mesmo período. "A reprovação e a retenção escolar, assim como a qualidade da educação, atrapalham o progresso do País."

 

O gargalo da 5ª série do ensino fundamental é conhecido. O relatório aponta três fatores que influenciam o resultado das crianças e a permanência na escola: a necessidade de identificar, nos primeiros anos de escolaridade, o quanto a criança está aprendendo e tomar medidas para sanar as dificuldades; ter escolas com um mínimo de infraestrutura física e um bom ambiente escolar; um número consistente de horas em sala de aula, garantindo que pelo menos 80% delas seja de aprendizagem efetiva. Em nenhum deles o Brasil pode servir de exemplo.

 

Nas rede pública, a média de horas de aula por dia é de 4,5 no ensino fundamental e 4,3 no médio, quando seriam necessárias ao menos 6. Mais de 17,8 mil escolas não têm energia elétrica e só 37% possuem bibliotecas.

 

Para o presidente executivo do Movimento Todos pela Educação, Mozart Ramos, os dados reforçam que o maior desafio do País é a aprendizagem na educação básica. "Melhorar a qualidade é mais caro do que colocar a criança na escola." Para a educadora Ângela Soligo, da Unicamp, o País "investe demais em avaliação e de menos na melhoria da qualidade".

 

O Ministério da Educação informou que ainda vai analisar o relatório, mas, inicialmente, considerou os números "estranhos" porque houve a ampliação do ensino fundamental para nove anos e queda na evasão.

 

Metas para a área não devem ser alcançadas

 

Lisandra Paraguassú

 

Dez anos depois de líderes mundiais terem se reunido em Dacar, no Senegal, para traçar metas para melhorar o acesso à educação, o mundo avançou, mas não como deveria. Com o prazo de 15 anos se esgotando, o relatório de 2010 do programa Educação para Todos, da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), aponta que dificilmente os objetivos serão alcançados e, mesmo onde isso pode ocorrer, os números escondem uma população que fica marginalizada em qualquer política pública.

 

Dados atuais mostram que 72 milhões de crianças no mundo estão fora da escola. No ritmo atual, serão 56 milhões em 2015, e não há indícios de que isso será acelerado nos próximos anos. O analfabetismo atinge 759 milhões de pessoas e a perspectiva é que diminua para 710 milhões nos próximos 15 anos.

 

O relatório também cita outro problema: os adolescentes que não estudam. "Quase 71 milhões no mundo estavam fora da escola em 2007", diz o relatório.

 

Dos 128 países para os quais a Unesco obteve dados para esse relatório, 62 devem atingir as metas. Outros 36, entre eles o Brasil, estão a caminho, mas têm resultados mistos, com problemas especialmente no analfabetismo e na qualidade do ensino. Trinta estão longe das metas e até regridem, como a República Dominicana e a Venezuela.

 

Colaborou Carlos Lordelo




Elaborado pela assessoria de comunicação da ADUNEB, o serviço de Clipagem apresenta um resumo das informações ligadas à Educação e ao movimento sindical publicadas pelos principais jornais, agências e sites de notícias do país.

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Fonte: O Estado de S. Paulo - 20/01/2010

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