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Clipagem
25/01/2010 11:27Oposição diz que valor corresponde a 10,5% do total de despesas do Estado em 2009
LÍLIA DE SOUZA
O governo Jaques Wagner contratou sem licitação um montante de R$
624,15 milhões em 2009, quase o dobro que em 2007 – primeiro ano de
governo (R$ 323,64 milhões) – e um pouco menos que no segundo ano (R$
684,028 milhões), quando houve um aumento de 111,35% na modalidade de
contratação. O valor representou 10,5% dos R$ 5,912 bilhões de despesas
liquidadas passíveis de processo licitatório – isto num total de R$
19,11 bilhões de despesas em geral executadas pelo Poder Executivo.
Se
aos R$ 624,15 milhões for somado o total de contratações feitas pela
Secretaria de Saúde para as prestações de serviços médicos-hospitalares
– contratos estes feitos a partir de uma portaria da Secretaria de
Administração –, chega-se a $ 713 milhões de despesas liquidadas sem
processo licitatório (12% dos recursos sujeitos à licitação).
O
levantamento encaminhado à reportagem foi feito por equipe técnica da
liderança da Oposição na Assembleia Legislativa da Bahia, a partir do
acompanhamento do Diário Oficial do Estado. Na opinião do líder da
Oposição, deputado Heraldo Rocha (DEM), o governo estadual tem abusado
do instrumento. “A gente estranha dispensas contínuas nas áreas de
alimentação, limpeza e mão-de-obra”, criticou o oposicionista.
A
Secretaria da Saúde (Sesab), por exemplo, depois de ter suspendido
todos os contratos com o G8 (esquema de empresas que, segundo apuração
da polícia federal, fraudavam licitações nos governos carlistas), ainda
adquire serviços nas áreas de limpeza, segurança e conservação sem
processo licitatório. Em sua defesa, a Sesab, afirma que ações
judiciais paralisaram licitações em curso.
O levantamento da
oposição destaca que grande parte dos contratos para manutenção de
equipamentos na secretaria da Saúde se dá também por dispensa de
licitação.
Só em dezembro de 2009, com a Global Manutenções, foram três contratos que somam R$ 525,50 mil.
A
Procuradoria Geral do Estado (PGE), responsável pelos pareceres quanto
aos processos de dispensas e inexigibilidades de licitações, contratou
sem processo licitatório escritório em São Paulo, no valor de R$ 367,5
milhões, para dar consultoria ao órgão na implementação da Lei da
Política Estadual de Saneamento Básico. Depois da repercussão do fato
em dezembro do ano passado , a PGE suspendeu a dispensa.
Justificativa
O secretário de Saúde, Jorge Solla, rebate as críticas. “Em 2006,
último ano do governo Paulo Souto, a Secretaria da Saúde fez 261
procedimentos licitatórios e 107 pregões eletrônicos.
Em 2008,
nós pulamos para 459 procedimentos e 288 pregões”. Solla justifica,
ainda, que grande parte dos contratos de manutenção é por
inexigibilidade porque “não tem competitividade”, já que são empresas
específicas autorizadas pelos fabricantes para a manutenção dos
equipamentos.
O líder do governo, Waldenor Pereira (PT),
garantiu que o volume de dispensas de licitação e inexigibilidade no
governo Wagner, proporcionalmente, é menor do que o montante realizado
nos anos de governos carlistas que o antecederam. Contudo, o petista
não apresentou um levantamento concreto. A TARDE tentou levantar ainda
os dados da administração Paulo Souto junto ao atual governo, mas até o
fechamento da edição não obteve resposta.
Tais informações também não estão o disponíveis nos relatórios das contas dos governos no Tribunal de Contas do Estado (TCE).
“O
que a gente fez de dispensa, cerca de 3,5% do orçamento total
realizado, é perfeitamente compatível. O governo deles chegou a
dispensar 5%, e nós não condenamos.
Consideramos que até 5% é um
percentual compatível com a gestão”, disse Pereira. Para o petista, a
oposição tem um comportamento “proselitista”.
Em resposta ao
secretário Jorge Solla, a assessoria do ex-governador Paulo Souto (DEM)
disse que o número de procedimentos licitatórios informados pelo
petista não importa, mas sim saber as motivações das dispensas e o
volume de recursos.
Fonte: Jornal A Tarde
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